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Uma perspectiva interessante do amor

Quinta-feira, 06.10.16

 

Alain de Botton é um jovem filósofo culto, criativo, cheio de energia e bom comunicador.

É essencialmente conhecido pelo seu livro O Consolo da Filosofia, um excelente exercício sobre alguns filósofos e como nos podem ensinar a viver melhor.

Uma das suas melhores ideias foi, sem dúvida, The School of Life. E, mais recentemente, The Book of Life.

Mas também Art as Therapy nos inspira a reflectir sobre a vida, os relacionamentos, o trabalho.

 

Hoje encontrei este vídeo delicioso sobre o amor, uma perspectiva muito interessante do que é realmente o amor, o amor adulto.

Partindo do amor romântico, que descreve de forma humorística, propõe uma visão realista e até pessimista do amor. Dito assim, parece retirar ao amor o seu lado excepcional, fora da vida normal e rotineira, e é mesmo isso que propõe. Se retirarmos as ideias românticas - como mostrar-se tal como se é, não ter segredos, e esperar ser aceite assim mesmo -, o que fica do amor? Precisamente, o amor é tudo o que existe de real depois de retirar o romantismo. É hilariante, visto nesta perspectiva.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:39

A aprendizagem do amor

Domingo, 22.05.11

 

Continuo esta reflexão sobre sentimentos essenciais como o amor e a gratidão, pegando agora no modelo de amor que os pais transmitem. Estejam atentos: que modelo de amor estão a passar aos filhos? Se cada um se respeitar e respeitar o outro, pode fazer mais pela aprendizagem do amor dos seus filhos do que qualquer mensagem verbal.


O amor é discreto, vive de pequenas atenções. A comunicação que o amor permite é criativa e desafiadora. A dimensão do amor abre-lhes a possibilidade da autonomia, de um caminho percorrido por si, que cada um vai desenhando no mundo. É a dimensão do adulto responsável. E as escolhas responsáveis implicam resistir a estímulos externos, não como privação ou moralismo, mas simplesmente por não fazerem sentido.


Uma vez vivida a experiência do amor, a dimensão do respeito por nós próprios e pelos outros, todas estas preocupações actuais com o prazer e o sexo nos surgem como estranhas. O prazer e a alegria que o amor permite não se esgota na magia do momento, perdura para sempre, continua a fazer efeito pela vida fora.

 

O amor é de uma consistência estranha: é leve, aéreo, suave, não se impõe nem é invasivo. E ao mesmo tempo tem uma enorme densidade: é líquido, como os afectos, as emoções. É mutável, adapta-se, fala ou cala, avança ou espera. E é constante, leal.

 

O amor envolve-nos, mobiliza-nos. Trabalhamo-nos e inspiramos o outro a trabalhar-se: para sermos nós próprios, livres e autênticos, nas possibilidades de podermos agir no mundo.

 

Sugestão para este verão: a leitura d' O Pequeno Livro do Amor, de Jacob Needleman, da Bizâncio.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 10:24

Amor e gratidão - 2

Terça-feira, 03.05.11

 

Estes sentimentos são essenciais para lidar com a vida e o mundo. Quem não os alimenta e acarinha é facilmente engolido pela voracidade de uma época superficial e artificial. Sim, vivemos numa época de imaturos emocionais que querem o céu com métodos infernais, que não sabem esperar, inquietos, indecisos e confusos. 


O amor adulto nada exige e nada impõe, não é calculista, manipulador, possessivo, porque isso é a negação do próprio amor. 

O amor é o melhor antídoto para a solidão, a sensação de não-pertença, de rejeição. E é a melhor receita para a saúde e bem-estar.

Mais, o amor adulto é a melhor via para a realização pessoal de cada um, pois promove precisamente a liberdade de se ser quem se pode realmente ser, para lá de todas as nossas limitações ("amor intencional" de Jacob Needleman, em "O Pequeno Livro do Amor" - Bizâncio).

Quando se fala de amor fala-se de liberdade, é a fórmula natural. Leiam ou releiam "1984" de George Orwell e verão que está lá tudo. 

 

Numa fase tão difícil como a que estamos a viver colectivamente, que nos toca de perto, o amor tem um papel fundamental na coesão de grupo e de comunidade. E é a melhor base para a construção a partir dos destroços. Amor baseado no respeito por nós próprios em primeiro lugar. Amor baseado no respeito pela vida. Amor baseado no respeito pelos que nos rodeiam.

A gratidão entra logo no início, na primeira respiração, no primeiro grito. No início de uma nova vida. A partir daí, gratidão como forma de vida: pelo que nos sabe bem e pelo que nos sabe mal, pelas sensações agradáveis mas também pelas sensações desagradáveis. Aceitar tudo filosoficamente. Tudo faz parte de um percurso, de um caminho. E aprender com as diversas experiências e interacções. Aprender sempre. Com infinita gratidão.

 

 


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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:55








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